
Acordei com um barulho ensurdecedor, de algo a bater em chapa e pensei:
Até nos portamos bem ontem á noite!
Era normal o vizinho das Paredes pagar-se na mesma moeda no dia seguinte.
Sendo impossível dormir naquelas condições, levante-me e fui á janela.Qual é o meu espanto quando vejo o Luís, já bem acordado e com a sua vespa de pernas ao ar.
-Então Luís, que se passa?
-Estou-lhe a tirar o escape.
-A sério, porquê?
-Para ir assapar para o pinhal! Ehehehe...
-Estás louco...Então...e isso desmonta-se com pedras?
-...Ehehe é o que está mais á mão!
Sabendo que nada podia fazer para o demover de tal ideia, encolhi os ombros, peguei numa revista fui á casa de banho para poder começar o dia de uma forma mais aliviada.
O som da pedra a bater na chapa não parou... só foi interrompido por outro anda mais alto.
PPPPiiiii...PPPPiiiiiii...PPPiiiiiiiiiii... Um carro que se aproximava a alta velocidade a buzinar e com o condutor aos gritos.
-Ó MIGUEL...Ó MIGUEL...ESTÁ UMA RAPARIGA A MORRER AFOGADA, TENS DE LÁ IR...DEPRESSA...
Não, isto não está acontecer, são nove e meia, ainda não está na minha hora! Pensei, sentadinho de revista na mão.
-ANDA DEPRESSA...
-JÁ VOU...JÁ VOU...Ó Luís...Leva a prancha para o carro.
-Embora pá...Ela já está bem lá dentro, quase não se vê.
Entramos no carro e saímos a todo o gás e a abrir caminho com buzinadelas incessantes.
PPPiiii...PPPiiiiiiiii....VRRuuuuummmmmmmm.......
Naturalmente o meu ritmo cardíaco acelerou de tal forma, que mesmo antes de entrar na água, eu já não controlava a respiração.
Em alta velocidade entramos pelas ruas estreitas das Paredes e parámos junto da padaria.Esta vazia, pois já estava toda gente a apreciar o aparato.
Pego na prancha, corro em direcção á praia a perguntar:
-Onde é que ela está??...onde... onde??
-Bem em frente do castelo... Lá dentro
-Ena!!! Já vi! vou ter que dar ao pedal como o caraças...
E lá fui... o salvador...ressacado...a correr, já sem fôlego.
Para falar a sério, custou mais a corridinha na areia, que o salvamento no mar.
Remei...Remei...E quando cheguei encontrei uma miúda assustada,mas sem pânico, que era o que eu temia.
Conversamos, ela disse que não conseguia sair, então manteve-se a nadar á espera de ajuda.
-Foi o melhor que fizeste.Respondi eu. Agora monta na prancha e vamos embora.
E lá fomos, calmamente...
As cerca de vinte pessoa que nos esperavam na praia, estavam bem mais nervosas e agitadas que nós. Ao ponto de um pescador entrar na água e estender a cana aos gritos.
-AGARRA-TE Á PONTEIRA...AGARRATE Á PONTEIRA...
Eu bem vi a cana próxima de nós a chapinhar na água, com anzol,chumbada e tudo...
Ao principio pensei! Não me vou agarrar a ela, pois é fragíl e não há necessidade.
Mas o homem tanto insistiu, tanto insisitiu que, ok...ok, vou fazer a vontade ao Sr. pescador.Não demorou dois segundos e a cana desmontou-se em duas partes, Opsss...
Larguei-a com delicadeza e continuei na direção da praia.
No final até correu bem, a miuda não ganhou para o susto, mas rapidamente recuperou o fôlego.
Já de regresso pela praia ouve-se novamente um grito:
-Ó MIGUEL...Ó MIGUEL...
Voltei-me, olhei e...
Era o pescador...todo vestido... ainda com a cana em duas partes na mão, mas já com água pelo nariz!
Há aqueles que têm dificuldade em ultrapassar a Idade da Pedra...eheh... e os que não se conseguem separar do mar...e os salvadores...e os que gostam de ler as tuas histórias/memórias... continua a partilhar...é um momento bom... Pa.
ResponderEliminarEm Pataias é tudo resolvido a pedrada, mas lembro bem do David em cuecas a correr pela praia para ajudar as moças.
ResponderEliminarp.s.( isto não é a sigla do partido socialista) Lembro que a vespa ficou com um belo som sem o escape
hasta
LA
Pois foi, falta essa parte, o David em cuecas,
ResponderEliminara correr pela praia fora eheh...
Ficou com alto roncar e a andar mais!!
Nada como personalizar o que é nosso