
Era fim de Agosto e já se notava uma quebra acentuada nos veraneantes, mas mesmo assim não era o suficiente.
Cansado das rotinas de nadador salvador, ansiava pelos dias calmos de Setembro.
Sentado á beira mar, acompanhado dos inseparáveis amigos de Verão, que comigo guardavam a praia, observava os banhistas e ríamos com os mais incautos que, quando apanhados de surpresa pelas ondas, vinham enrolados até à areia, ha ha ha ha...
Hilariante eheheh... Pacóvios... alguém dizia no gozo.
Estava um dia bem tranquilo, as ondas fortes com cerca de dois metros não deixavam os de vinte banhistas ultrapassar a água pelo peito, tornado assim o meu trabalho mais fácil.
Mas, o Mar não é de confiança...E a certa altura, veio um enchido, uma leva de mar ou não sei bem o quê! Que as pessoas que tinham água pelo peito, ficaram com água pelo nariz e, quando a leva de mar recuou, levou os cerca de vinte banhistas para trás da rebentação. Ficaram praticamente todos em pânico!
Eu, ao ver aquele cenário e sem saber o que fazer, em pânico fiquei!
-Oi!! O que é que se está a passar? Perguntei para o ar.
-Socorro...Socorro...Gritavam os que estavam em apuros e agora também, os que observavam na areia.
-Ena tantos... Pensei!
Peguei na característica bóia do I.S.N., corri pelo mar a dentro e quando não consegui entrar mais, lancei-a para detrás das ondas para sorte de dois ou três que se agarraram de imediato a ela.
Voltei para a praia e gritei aos meus ajudantes.
-A PRANCHA...A PRANCHA...(prancha do i.s.n.)
O Fernando, bem constituído fisicamente, carregou-a sozinho até ao mar ao mesmo tempo que me chamava.
-ANDA...ANDA...Que eu empurro-te.
Já estafadinho de todo, agradeci ao meu amigo e montei na prancha.
-Rápido Fernando, rápido que a coisa está preta!
Fui literalmente projectado na direcção do mar, só tive tempo para me agarrar á prancha, e quando olhei para a frente, uma onda do set já se empinava sobre mim.
-Tchiii...Se eu não passar esta, a prancha vai parar lá fora e está tudo perdido. Pensei!
Remei...Remei com todas as minhas forças e ao chegar a ela, segurei-me bem ao bico ao mesmo tempo que pedia a Deus e a Tudo para a passar.
Mais uma vez, as minhas preces foram ouvidas e bem na última furei a crista e passei para o outro lado.
-Uffa...Esta foi por pouco. Pensei!
Passar a onda até passei, mas aquela crista grossa não foi por menos e arrancou-me os calções! Só os consegui segurar nos artelhos, ficando com o rabinho completamente ao léu!
-Tchiii... que cena!! e agora, puxo os calções ou continuo a remar? Pensei!
Como não podia deixar de ser...Puxei os calções, claro! Mas não deu. Deitado na prancha era praticamente impossível e como continuavam a vir ondas, só me restou continuar a remar, praticamente como vim ao mundo perante uma plateia que já se juntava na praia.
Envergonhado, mas com uma missão a cumprir continuei até às restantes vitimas, Quatro raparigas e um rapaz... Boa!!
-AJUDA...AJUDA. Gritavam.
-CALMA, CALMA, que está tudo bem. Agarrem-se à prancha que vamos já sair daqui. Respondi.
Notei perfeitamente na cara delas, um ar de espanto, ao ver uma das partes mais branquinhas do meu corpo, exposta daquela maneira. Nem disseram mais nada!
Sem hipóteses de resgatar os calções, restou-me manter as pernas o mais juntinhas possível e remar...Remar...
A elas, restou-lhes virarem a cara para o lado e não largarem a prancha.
Envergonhado, mas com a situação controlada remei...remei e só repus a minha dignidade quando já perto da praia uma onda nos virou.
Debaixo de água até respirei fundo! Só do alivio ao sentir os calções no sitio certo.
No fim, ao sair do mar ainda fiz pose de herói, peito para fora, barriga para dentro...Mas foi por pouco tempo, pois a esta altura os meus compinchas já seguravam a barriga de tanto rir... E ainda se ouviram umas boquitas do meio da plateia, que eu me recuso a publicar.
Na realidade, também achei piada, mas costou-me ver os pacóvios rirem-se de mim!
Nesse dia á noite!
Virei-me para a minha mãe e disse-lhe:
-Mãe!! Põe-me um elástico nos calções!! sff













