segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os Guardiões!


Era fim de Agosto e já se notava uma quebra acentuada nos veraneantes, mas mesmo assim não era o suficiente.
Cansado das rotinas de nadador salvador, ansiava pelos dias calmos de Setembro.
Sentado á beira mar, acompanhado dos inseparáveis amigos de Verão, que comigo guardavam a praia, observava os banhistas e ríamos com os mais incautos que, quando apanhados de surpresa pelas ondas, vinham enrolados até à areia, ha ha ha ha...
Hilariante eheheh... Pacóvios... alguém dizia no gozo.
Estava um dia bem tranquilo, as ondas fortes com cerca de dois metros não deixavam os de vinte banhistas ultrapassar a água pelo peito, tornado assim o meu trabalho mais fácil.

Mas, o Mar não é de confiança...E a certa altura, veio um enchido, uma leva de mar ou não sei bem o quê! Que as pessoas que tinham água pelo peito, ficaram com água pelo nariz e, quando a leva de mar recuou, levou os cerca de vinte banhistas para trás da rebentação. Ficaram praticamente todos em pânico!
Eu, ao ver aquele cenário e sem saber o que fazer, em pânico fiquei!
-Oi!! O que é que se está a passar? Perguntei para o ar.
-Socorro...Socorro...Gritavam os que estavam em apuros e agora também, os que observavam na areia.
-Ena tantos... Pensei!
Peguei na característica bóia do I.S.N., corri pelo mar a dentro e quando não consegui entrar mais, lancei-a para detrás das ondas para sorte de dois ou três que se agarraram de imediato a ela.
Voltei para a praia e gritei aos meus ajudantes.
-A PRANCHA...A PRANCHA...(prancha do i.s.n.)
O Fernando, bem constituído fisicamente, carregou-a sozinho até ao mar ao mesmo tempo que me chamava.
-ANDA...ANDA...Que eu empurro-te.
Já estafadinho de todo, agradeci ao meu amigo e montei na prancha.
-Rápido Fernando, rápido que a coisa está preta!
Fui literalmente projectado na direcção do mar, só tive tempo para me agarrar á prancha, e quando olhei para a frente, uma onda do set já se empinava sobre mim.
-Tchiii...Se eu não passar esta, a prancha vai parar lá fora e está tudo perdido. Pensei!
Remei...Remei com todas as minhas forças e ao chegar a ela, segurei-me bem ao bico ao mesmo tempo que pedia a Deus e a Tudo para a passar.
Mais uma vez, as minhas preces foram ouvidas e bem na última furei a crista e passei para o outro lado.
-Uffa...Esta foi por pouco. Pensei!

Passar a onda até passei, mas aquela crista grossa não foi por menos e arrancou-me os calções! Só os consegui segurar nos artelhos, ficando com o rabinho completamente ao léu!
-Tchiii... que cena!! e agora, puxo os calções ou continuo a remar? Pensei!
Como não podia deixar de ser...Puxei os calções, claro! Mas não deu. Deitado na prancha era praticamente impossível e como continuavam a vir ondas, só me restou continuar a remar, praticamente como vim ao mundo perante uma plateia que já se juntava na praia.
Envergonhado, mas com uma missão a cumprir continuei até às restantes vitimas, Quatro raparigas e um rapaz... Boa!!
-AJUDA...AJUDA. Gritavam.
-CALMA, CALMA, que está tudo bem. Agarrem-se à prancha que vamos já sair daqui. Respondi.
Notei perfeitamente na cara delas, um ar de espanto, ao ver uma das partes mais branquinhas do meu corpo, exposta daquela maneira. Nem disseram mais nada!
Sem hipóteses de resgatar os calções, restou-me manter as pernas o mais juntinhas possível e remar...Remar...
A elas, restou-lhes virarem a cara para o lado e não largarem a prancha.
Envergonhado, mas com a situação controlada remei...remei e só repus a minha dignidade quando já perto da praia uma onda nos virou.
Debaixo de água até respirei fundo! Só do alivio ao sentir os calções no sitio certo.

No fim, ao sair do mar ainda fiz pose de herói, peito para fora, barriga para dentro...Mas foi por pouco tempo, pois a esta altura os meus compinchas já seguravam a barriga de tanto rir... E ainda se ouviram umas boquitas do meio da plateia, que eu me recuso a publicar.
Na realidade, também achei piada, mas costou-me ver os pacóvios rirem-se de mim!

Nesse dia á noite!
Virei-me para a minha mãe e disse-lhe:

-Mãe!! Põe-me um elástico nos calções!! sff

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Extra: Agora sei!



Ainda bem...Não sou o único!

Se pensar pouco...Existo.
Se pensar muito...Não Existo!

O meu Mundo, é um Mundo paralelo, onde a única coisa verdadeira, sou Eu!
Tudo o resto é ficção. É um cenário que está montado para eu acreditar...e vocês são personagens, que só existem na minha presença, encenadas por um Deus que me testa a cada minuto.
É um Mundo onde as coincidências são programadas ao segundo... onde o tempo pára quando durmo... onde os actores estudam os seus papéis ao pormenor e alguns... não são assim tão bons!

Agora sei...Não sou o ÚNICO!!!

(foto: Algures no Bairro Alto 2009)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Extra: Reutilizar!

Em forma de reutilização, este Verão decidi pintar a minha prancha.
É uma Koala (6´0")toda branca, o foguete como eu gosto de lhe chamar.
Mas este foguete já tem dois anos de uso intensivo. Tem algumas moças, um fino diferente e o branco da prancha já era! Está mais para o amarelado.
Nada como uma corzinha para dar vida a este foguete.
E em completa experimentação lá fui...

Comprei umas tintas, pedi uns conselhos e mãos á obra:


Comecei por limpar bem a área a pintar e isolar o que não queria.


De seguida pintei...Umas borrifadelas de detergente da louça por cima das cores...depois o preto...


Lavei bem com água e...VOILÁ!!


Por baixo...O mesmo...Limpei...


Utilizei fitas e jornal para separar as cores...


Pintei...


Tirei as fitas...Utilizei de novo o detergente... pintei por cima de preto e...


E VOILÁ de novo...


Assim..até dá mais pica!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Extra: A Roda do Tempo



Perdido...
Entre o meu mundo e o teu
Encontrei a roda do tempo.
Olhei para um lado,
Olhei para o outro...
Ninguém!
Aproximei-me...
Voltei a olhar!
Ninguém!
Num só impulso,
Fi-la rodar
(ao contrário!)
Recuei no tempo e,
tive a oportunidade de voltar a viver o mesmo.
Mas, mesmo assim!
Voltei a Errar!

Na roda do Tempo... a única coisa que muda, é
o Tempo!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Extra: Memórias de um telemóvel

2 megapixeis:

03 Out 2009









Estas Fotos foram tiradas com o tlm bem junto da água,(pelos joelhos!) a ondas de 20cm, aproveitando ao máximo o brilho do Sol.
Nada mau, para uma Experiência!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Inicio de Verão 1988



Acordei com um barulho ensurdecedor, de algo a bater em chapa e pensei:
Até nos portamos bem ontem á noite!
Era normal o vizinho das Paredes pagar-se na mesma moeda no dia seguinte.
Sendo impossível dormir naquelas condições, levante-me e fui á janela.Qual é o meu espanto quando vejo o Luís, já bem acordado e com a sua vespa de pernas ao ar.
-Então Luís, que se passa?
-Estou-lhe a tirar o escape.
-A sério, porquê?
-Para ir assapar para o pinhal! Ehehehe...
-Estás louco...Então...e isso desmonta-se com pedras?
-...Ehehe é o que está mais á mão!
Sabendo que nada podia fazer para o demover de tal ideia, encolhi os ombros, peguei numa revista fui á casa de banho para poder começar o dia de uma forma mais aliviada.
O som da pedra a bater na chapa não parou... só foi interrompido por outro anda mais alto.
PPPPiiiii...PPPPiiiiiii...PPPiiiiiiiiiii... Um carro que se aproximava a alta velocidade a buzinar e com o condutor aos gritos.
-Ó MIGUEL...Ó MIGUEL...ESTÁ UMA RAPARIGA A MORRER AFOGADA, TENS DE LÁ IR...DEPRESSA...
Não, isto não está acontecer, são nove e meia, ainda não está na minha hora! Pensei, sentadinho de revista na mão.
-ANDA DEPRESSA...
-JÁ VOU...JÁ VOU...Ó Luís...Leva a prancha para o carro.
-Embora pá...Ela já está bem lá dentro, quase não se vê.
Entramos no carro e saímos a todo o gás e a abrir caminho com buzinadelas incessantes.
PPPiiii...PPPiiiiiiiii....VRRuuuuummmmmmmm.......
Naturalmente o meu ritmo cardíaco acelerou de tal forma, que mesmo antes de entrar na água, eu já não controlava a respiração.
Em alta velocidade entramos pelas ruas estreitas das Paredes e parámos junto da padaria.Esta vazia, pois já estava toda gente a apreciar o aparato.
Pego na prancha, corro em direcção á praia a perguntar:
-Onde é que ela está??...onde... onde??
-Bem em frente do castelo... Lá dentro
-Ena!!! Já vi! vou ter que dar ao pedal como o caraças...
E lá fui... o salvador...ressacado...a correr, já sem fôlego.
Para falar a sério, custou mais a corridinha na areia, que o salvamento no mar.
Remei...Remei...E quando cheguei encontrei uma miúda assustada,mas sem pânico, que era o que eu temia.
Conversamos, ela disse que não conseguia sair, então manteve-se a nadar á espera de ajuda.
-Foi o melhor que fizeste.Respondi eu. Agora monta na prancha e vamos embora.
E lá fomos, calmamente...
As cerca de vinte pessoa que nos esperavam na praia, estavam bem mais nervosas e agitadas que nós. Ao ponto de um pescador entrar na água e estender a cana aos gritos.
-AGARRA-TE Á PONTEIRA...AGARRATE Á PONTEIRA...
Eu bem vi a cana próxima de nós a chapinhar na água, com anzol,chumbada e tudo...
Ao principio pensei! Não me vou agarrar a ela, pois é fragíl e não há necessidade.
Mas o homem tanto insistiu, tanto insisitiu que, ok...ok, vou fazer a vontade ao Sr. pescador.Não demorou dois segundos e a cana desmontou-se em duas partes, Opsss...
Larguei-a com delicadeza e continuei na direção da praia.
No final até correu bem, a miuda não ganhou para o susto, mas rapidamente recuperou o fôlego.
Já de regresso pela praia ouve-se novamente um grito:
-Ó MIGUEL...Ó MIGUEL...
Voltei-me, olhei e...
Era o pescador...todo vestido... ainda com a cana em duas partes na mão, mas já com água pelo nariz!

segunda-feira, 29 de março de 2010