
-As pranchas, só as dos bifes que passavam ocasionalmente.Eram Twin ou Single fin, pesadas e lentas, mas ideais para a iniciação.
-Os fatos, eram fluorescentes, frios e rijos. Era comum o pessoal ter o pescoço todo assado e a Nivea fazia parte integrante do material de Surf.
-O leash, era meio elastico e foi responsavel por eu passar esse Verão, com os dentes de cima a abanar.
-O Wax, como não havia, era uma vela acesa a pingar o deck, ou então a formula artezanal: ± 80% parafina 20% vaselina.

-Faziam-se kilometros só para não surfarmos sozinhos.
-Uma prancha e um fato, dava para dez! E ninguém sabia quais eram as suas Marcas.
-Não havia BodyBoard!
-Assava-se a bela febra numa fogueira na praia p'ró almoço.
Viamos as ondas uns dos outros e comentavamos.
-Ficavamos a ganhar, quando vendiamos uma prancha!
-Na praia, só havia um grupo, nem que fôssemos 30!

-Sempre que vísse-mos alguem com uma prancha, íamos logo perguntar se a vendia.
-No fim de semana, era certinho para Peniche. Cinco, ou seis se o Carriça fosse, no
Renault 5 do Tatanka e não havia A8 ou Ip 6 .
-P'ra cá, se o carriça fosse e se adormecesse, levava na cabeça!!!...
Agora....

Agora o surf está à venda e só está na mó de cima quem tem cartão. O poder das Marcas desmenbrou a nossa tribo e na água, quanto melhor é o desempenho, maior a indiferença pelos que o rodeiam
Existe uma escada hierática na qual, agora, cada um de nós tem um lugar.
Mas não desanimem! Nós estamos no topo!
Saudações salgadas